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A Volta ao Mundo sem Usar Milhas Aéreas

Alberto Correia é carioca, psicólogo e mestrando em Gestão de RH pela University of Westminster – Londres onde mora há quatro anos. Atuou em RH em diversas organizações e como Gestor de Desenvolvimento Institucional no terceiro setor . Como consultor autônomo, prestou serviços de consultoria em treinamento com ênfase nas áreas de atendimento e comercial para várias empresas. Atua como Consultor de RH da Cia. de Idéias – Teatro Empresarial , no desenvolvimento de produtos de teatro voltados para a estratégias de T&D, sendo ainda autor de textos teatrais para projetos empresariais.  Encontra-se em processo de retorno ao Brasil de onde finalizará a sua dissertação de mestrado.

A primeira vez que vi Londres foi do alto, dentro do avião. Certa vez disse isso num curso de inglês aqui e o professor não conseguiu entender como uma cidade pode ser vista de cima. Adoro ver cidades de cima, principalmente quando o avião começa a sobrevoá-las para aterrissar. Pode-se ver o formato delas, onde há parques, onde está engarrafado, se a cidade vibra. Do alto do meu vôo, achei Londres vibrante.

Os dias de férias aqui nas terras da Rainha foram incríveis, tanta cultura, tantos lugares interessantes, arquitetura diferente, mão de rua, sons. Me deparei com pessoas do mundo todo na rua, todas as cores, todos as caras, todos os jeitos. Fiquei fascinado! Andar no famoso Tube londrino deixou meus ouvidos atentos, tantas línguas e formas de expressão, uma Babel subterrânea correndo nos trilhos. Provei comida inglesa, espanhola, italiana, turca, tailandesa, cipriota, africana. Que orgia gastronômica maravilhosa!
Mas, acima de tudo, me fascinou a diversidade cultural. Fiquei intrigado com tudo aquilo. Será que dá certo tanta gente de tanto lugar diferente vivendo junta? Como uma cidade suporta hábitos tão distintos? O que é certo e o que é errado? Lembrei de diversos momentos em sala de aula pelo Brasil e também das nossas diferenças culturais. Cada canto um sotaque, cada estado uma geografia, cada sociedade com sua música. Lembrei dos gaúchos socializando o chimarrão enquanto falava de serviços de valor agregado e também das promoções de vendas em Salvador que premiavam clientes e vendedores com abadás. Dê um chimarrão para um baiano e descubra se dá certo…Ou que tal largar um curitibano que vem de cidade modelo, organizada, em pleno centro do Rio para que pegue um ônibus?
Acabei decidindo fazer mestrado aqui em Londres e aprender um pouco mais sobre o mundo sem ter que usar muitas milhas aéreas.  Vim entender como se faz aqui, se somos tão diferentes, se os problemas são os mesmos, se sabem as respostas. Vim na esperança de tentar responder a tantas perguntas pessoais e profissionais. Confesso que muitas respostas abriram mais perguntas…


As diferenças culturais são muito mais profundas do que vemos e ouvimos. Se encantar com a diversidade pode começar com o experimentar sabores, ouvir nova música e novas línguas, ver arquitetura diferente daquela na sua cidade. Mas, a diversidade cultural é processo, transmissão, formada por camadas aparentes e outras bem mais profundas.
Assim também são as culturas organizacionais. Você já pensou na diversidade cultural da sua empresa? Setores possuem culturas específicas de acordo com seus objetivos, processos e formação profissional dos seus colaboradores.
Esse é o primeiro da série de seis posts que publicarei no Salada Corporativa e queria deixar algumas perguntas no ar para que você pense comigo e conversemos sobre isso em outros posts:
O que o Brasil tem a ver com diversidade cultural? Não falo só da nossa diversidade doméstica…

Como processos de RH e de gestão podem ser afetados pela diversidade cultural?
Diversidade cultural numa empresa é uma oportunidade ou ameaça?
Vamos conversando…Por agora, vou comer a lasanha que acabei de fazer e está cheirando maravilhosamente!

See you later.

Alberto Correia

albertojmcorreia@uol.com.br

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Comentários
to “A Volta ao Mundo sem Usar Milhas Aéreas”
  1. Pedro disse:

    Alberto
    Parabéns pelos comentários.
    O curitibano provavelmente vai se atrapalhar para pegar o ônibus no centro do Rio, mas o baiano vai colocar vodka, gelo e limão no chimarrão e logo estará criada uma nova “rosca” (olha a pronúcia: o “r” é quase mudo e o “o” é bem agudo: rósca!!!)
    Diversidade cultural numa empresa – ou em qualquer outro lugar – na minha opinião, só é ameaça prá quem é muito ignorante ou um babacão de marca maior.
    Boa sorte.

    • Alberto Correia disse:

      Pedro,

      obrigado pelo comentário! Concordo com vc que diversidade cultural é sempre uma grande oportunidade e um enriquecimento tanto para as organizações quanto para as pessoas. Mas, tive experiências aqui do outro lado do Atlântico, num país como o Reino Unido onde a diversidade é respeitada, que nem sempre me mostraram que a diversidade cultural era uma vantagem competitiva, um recurso que diferenciasse a organização. Há muita proteção ao direito à igualdade, o que já é um enorme avanço. Mas será que as organizações realmente usam isso como um diferencial nas suas estratégias, na formação dos seus times? Comentarei mais sobre isso nos próximos blogs! Abraços.

  2. Lúcia disse:

    Beto,
    Quem trabalha em um Call Center como eu…muitas pessoas , credo ,cor…
    Posso dizer que , a diversidade é uma oportunidade, mas é preciso que haja o respeito pela identidade do outro.
    Bjs.

    • Alberto Correia disse:

      Oi Lúcia!

      Valeu pelo comentário! Vc está certíssima quando comenta que o respeito pela identidade do outro é fundamental. Penso que o aproveitamento da diversidade cultural como um diferencial competitivo deve começar com o elementar: uma curiosidade genuína. Além disso, é importante que exista uma política clara e divulgada que garanta o respeito da diferença por todos os indivíduos numa organização. Bjs

  3. Silvana disse:

    Oi, Beto.

    Que bom receber notícias suas! Adorei ler o seu post. Também adoro ver as cidades de cima e sua descrição de Londres é uma delícia.

    Quanto a diversidade, sou sempre muito a favor, em todos os espaços de sociabilidade. Acho pouco enriquecedor e meio entediante, compartilhar espaços que não possuem essa característica. Inclusive, os espaços organizacionais.

    Por falar neles, hoje ainda vejo muito mais um discurso sobre o tema do que efetivamente uma prática nas empresas…bem, mas essa é uma discussão loonga…portanto, pretendo acompanhar os seus posts com muito carinho.

    Adorei o tema!

    Beijos

    • Alberto Correia disse:

      Oi Silvana!

      Que bom também ter notícias suas através do Salada Corporativa e ver o quanto vc está brilhando na sua carreira. Adorei o seu post sobre o Carnaval carioca e fiquei morrendo de inveja de vcs que estarão aí curtindo essa festa. No ano que vem também estarei no meio da bagunça!
      Falando sobre a diversidade cultural, concordo com a questão de que as organizações ainda estão distantes de uma prática não só valorize mas que tb use a diversidade como diferencial estratégico. Aqui no Reino Unido mesmo, que considero um país bem moderno nesse sentido, a diversidade cultural ainda é apenas discurso para cliente ver em campanha publicitária. O assunto é tratado de um ponto de vista legal, defensivo. Ou seja, cuida-se da diversidade cultural como um elemento normativo da vida organizacional e que requer mecanismos de proteção para que a empresa evite problemas trabalhistas sérios. Acho que a questão é complexa e difícil de resolver. Mas, acredito que muito deve ser feito nessa direção uma vez que a diverisidade cultural está presente em diversas discussões atuais, seja nas organizações ou até na política internacional. Gde bjo!

  4. Andrea disse:

    Beto, querido! Vai ser ótimo ter você de novo aqui!
    Muito interessante seu post sobre a diversidade e as organizações… Em tempos de tantas fobias, vai ajudar a quebrar muitos paradigmas.
    Aguardo os próximos.
    Beijos enOrmes e saudades ainda maiOres.

    Andréa

    • Alberto Correia disse:

      Oi Andrea!! Saudades de ti!! Pois é, tem gente que ainda vê a diferença como algo a ser temido. A gente fala de diversidade cutlural, mas a diversidade começa na aceitação mais elementar de que o outro pensa e faz opções diferentes das nossas. Quando a coisa entre no campo das diferenças entre países, o bicho pega mais ainda. Mas, acho que o nosso país tem um talento especial para lidar com a diversidade. Vamos “conversando”! Bjs

  5. Roberto disse:

    Bom post Beto!!
    Abracos,
    Roberto Alvarez

  6. Renata moura disse:

    Complementariedade, novas formas de ver e de interagir, paradigmas distintos sao parte da sociedade e as empresas tem o desafio de traduzir isso na cultura, no model de gestao. Adorei as provocacoes.

    Renata

    • Alberto Correia disse:

      Olá Renata! Obrigado pelo comentário. Gostei muito de saber que você gostou da provocação, pois esse era o maior intuito do primeiro post. Penso que essa questão da diversidade cultural deve começar mesmo com o aceitar o convite a uma revisão, um efrentamento até das nossas verdades. Já dizia há pouco para algumas das pessoas que comentaram o post, que a aceitação da diversidade cultural começa com o simples: aceitar as diferenças de pensamento, opções, formas de expressão…Nesse nosso mundo já tão globalizado, lidar com a diversidade cultural é um imperativo de comportamento e de negócios. Penso demais no Brasil, no crescimento dos negócios brasileiros, no aprimoramento dos nossos profissionais, na internacionalização do nosso país. Considero que cada vez mais estaremos expostos novas formas de pensar, decidir, aprender, liderar. Estamos nos preparando para isso? Alguns estão, mas penso que ainda falta muito e principalmente uma produção acadêmica mais robusta que se una ao cotidiano das organizações e as auxilie no design de políticas e práticas. Grande abraço!

  7. Paola disse:

    Alberto querido,

    Amei seu texto. Ele resume seus anseios, suas dúvidas, seus desejos e suas realizações. Quero ler mais!!

    Beijos cheios de saudades

    • Alberto Correia disse:

      Paola, my dear! Que delícia é saber que vc gostou do meu texto, vc que escreve tão lindamente. Melhor ainda, saber que o meu texto fala de mim, parece verdadeiro. Muitas saudades tb! Bjs

  8. Ana Paula Cardodo disse:

    Menino Alberto, vejo que não perdeu a ‘pegada’ de escrever tão bem. Anseio pela série paar saber como é, afinal, lidar coma diversidade na carne. Aqui no Brasil estamos caminhando para isso. sem mão de obra qualificada para os grandes empreendimentos em setores como petróleo e infraestrutura, estamos importando especialistas de outros países. Vendo os ‘gringos’ ‘roubando’ os empregos de nossa gente mal educada e mal-qualificada, continuaremos a ser o ‘brasileiro gente boa’ da imagem que tanto gostamos de vender? Food for thought…

    • Alberto Correia disse:

      Menina Paula! Que bom que a minha “pegada” em português ainda anda boa, sempre tive medo de perdê-la depois de anos aqui em Londres. O ponto que vc colocou sempre me preocupou muito e aqui nas terras da Rainha esse é um assunto incômodo, mas cada vez mais falado pela massa trabalhadora. Também me preocupa a falsa imagem que os brasileiros têm de que somos menos preparados, menos cultos, menos educados…Como você comentou, há áreas em que estamos descobertos em termos de talentos nacionais e o Brasil precisa acordar para isso. No Reino Unido isso é tratado muito seriamente e há políticas governamentais que se ocupam de preparar a massa trabalhadora para a aquisição de skills importantes para o futuro do país. Penso que o brasileiro pode mostrar que é muito mais do que gente boa. Podemos mostrar que somos criativos, antenados, dinâmicos, comprometidos, algumas das características que me parecem cada vez mais distantes dos europeus. Bjos e saudades!

  9. Antonio Linhares disse:

    Grande Alberto !

    Lembra de mim ? Antonio Linhares da Intelig, aquele profissional de remuneração que tinha uma banda de rock no qual o alter ego, Little Anthony, aparecia.

    Adorei o post! Teremos muito o que dividir ! Fiz um mestrado no qual o tema da dissertação foi cultura organizacional e nele me aprofundei nas diferenças das culturas nacionais.

    Falar de cultura é fascinante. Nossa cultura é a nossa lente para visualizarmos a realidade !

    Forte abraço !

    • Alberto Correia disse:

      Grande Antonio! Claro que lembro de vc! Jamais esqueceria o tremendo profissional que vc é, além do ótimo parceiro de equipe. Sem contar, as performances do Little Anthony! Que bacana saber que vc também se interessa pelo mesmo assunto!!! Teremos mesmo muito o que conversar, já que darei continuidade a fase final do meu mestrado daí do Brasil. Vamos fazer contato! Abração!

  10. Juliana Torres disse:

    Oi, Beto!
    Texto delicioso … a diversidade assuta pois muita gente acha que ela esta representada no genero, raca, sexo … que tal abrir caminhos para quem realemnte traz uma visao nova sobre as coisas?
    bjs, Ju Torres

    • Alberto Correia disse:

      Oi Ju!! Valeu pelo comentário! Pois é, a diversidade vai além das questões de gênero, raça, opção sexual…pensar diferente já é a essência do que nos faz singulares. Penso que no Brasil, apesar da nossa imensa diversidade cultural, ainda precisamos nos livrar de algumas caretices e apreciar mais o novo, sem que isso seja visto como ameaça. Vamos conversando!!! Grande bjo!

  11. Claudia Klein disse:

    Beto,
    seu texto me fez refletir muuuuito, sobre planos.
    Já estou aguardando o próximo!
    Obrigada.
    bjs

    • Alberto Correia disse:

      Oi Claudia!! E eu poderia da minha parte dizer que escrever para o Salada Corporativa tem me feito refletir muito tambem. Tem sido uma otima oportunidade de sintetizar o que vivi e aprendi em Londres e compartilhar com outras pessoas os meus achados, duvidas, reflexoes. Obrigado pelo espaco!!! Gde bjo

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