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Mídias Sociais e Seus Impactos nas Nossas Vidas

Cezar Taurion

Gerente de Novas Tecnologias Aplicadas/Technical Evangelist da IBM Brasil, é um profissional e estudioso de Tecnologia da Informação desde fins da década de 70. Com educação formal diversificada, em Economia, Ciência da Computação e Marketing de Serviços, e experiência profissional moldada pela passagem em empresas de porte mundial.

Escreve constantemente sobre tecnologia da informação em publicações especializadas como Computerwold Brasil, Mundo Java e Linux Magazine, além de apresentar palestras em eventos e conferências de renome. É autor de cinco livros que abordam assuntos como Open Source/Software Livre, Grid Computing, Software Embarcado e Cloud Computing, editados pela Brasport (www.brasport.com.br).

A seguir, compartilhamos um trecho do livro de Cezar Taurion. Para ter acesso a todo o conteúdo do livro, clique aqui: Mídias Sociais e Seus Impactos nas Nossas Vidas.

“A computação social ou tecnologias de midias sociais ou mesmo redes sociais vem despertando muita atenção na mídia e vários livros tem sido escritos sobre o assunto. Serviços como Google, WordPress, Twitter, YouTube e Facebook já fazem parte de nossa vida diária. Nos meus posts abordo o tema focalizando principalmente o seu uso nas empresas. Pelo que venho observando, a maior parte das empresas ainda usa as midias sociais experimentalmente, como ferramenta de marketing e relações públicas, e apenas uma pequena parcela as utiliza para suportar trabalho colaborativo e fomentar e disseminar cultura de inovação. Uma recente pesquisa (Harvard Business Review Analytic Report) mostrou que apenas 7% das empresas pesquisadas (mundo inteiro) já estavam integrando as mídias sociais com suas estratégias de marketing.

Observo também que muitas empresas além de não estarem presentes nas midias sociais, ainda desencorajam ou até mesmo proíbem seu uso nas suas instalações.

Por outro lado, a velocidade com que as novidades surgem e se permeiam pela sociedade acelera-se a cada momento. Os blogs, cujo termo apareceu há pouco mais de dez anos, em 1999,  já são considerados por muitos como algo ultrapassado e os emails quase que pertencentes à uma “era geológica” anterior. Mas, indiscutivelmente que todas as tecnologias tem seu espaço e podem e devem ser vistas como complementares. O email tem seu espaço, assim como os blogs se mostram como ferramentas de comunicação e interação extremamente eficientes. Com blogs corporativos uma empresa pode expor de forma aberta seu ponto de vista e receber comentários e opiniões, criando um execlente meio de interação com o mercado, seus clientes e parceiros.

O Twitter, que hoje, ao escrever este livro já alcançou um público similar a população do Brasil (mais de 200 milhões de usuários), que tuitam mais de um bilhão de vezes por mês, começa a ser descoberto como ferramenta de comunicação corporativa. É um novo meio que rapidamente devemos aprender a usar. O Twitter nos permite fazer comunicações rapidas e imediatas. Tem grande potencial nas situações onde a interação com o cliente demandar imediatismo.

O Facebook é outro fenômeno. Hoje, se fosse um país, seria o terceiro do mundo em população com seus quase 700 milhões de facebookianos, perdendo apenas para a China e a Índia. Em poucos anos deverá chegar a um bilhão de usuários. A cada dia pelo menos metade de seus usuários ou mais de 300 milhões de pessoas se conectam. O seu valor de mercado, em novembro de 2010, era estimado em 41 bilhões de dólares.

Mais, a cada minuto são “uploaded” 24 horas de novos vídeos no YouTube. Já são 100 milhões de pessoas no Linkedin. São numeros que mostram que um novo paradigma está se consolidando. A geração digital não consegue conceber a vida sem a Internet, assim como hoje os oriundos do mundo analógico já não conseguem imaginar uma vida sem eletricidade.

As pessoas no seu dia a dia usam mais de uma das diversas tecnologias de midia social. Assim, para uma empresa criar interações com clientes, fornecedores e mesmo internas vai demandar o uso de diversas tecnologias, explorando-se adequadamente as especificidades e propostas de cada. Mas, por outro lado, pesquisas mostram que o mundo corporativo anda muito mais devagar que os hábitos da sociedade. Nos EUA mais de metade dos funcionários de empresas dizem que utilizam melhores tecnologias em casa que nos escritórios onde trabalham.

Mas, aonde isto tudo vai chegar? Talvez uma pequena volta ao passado nos indique algumas pistas. Se voltarmos a 1800 veremos que a comunicação na época era inteiramente pessoal. Se você quisesse vender um produto teria que se dirigir  um mercado local. E desta maneira, face-to-face, era que conseguiamos obter informações. Para estarmos informados sobre um determinado evento, teriamos que estar no lugar certo, na hora certa. Não se sabia o que estava acontecendo em outras partes do mundo, salvo por uma ou outra correspondência que levava meses para cruzar o Atlântico. Mas, começava a surgir uma novidade, ainda pouco disseminada, que se chamava jornal.

Em 1900, os jornais e revistas haviam revolucionado a maneira das pessoas se informarem. Agora, já era possivel sabermos de coisas que estavam acontecendo em outras partes do mundo ou ter acesso a idéias de pessoas que não conheciamos. Em 1920 surgiu uma nova mídia, o rádio, que nos permitia ouvir as vozes de pessoas situadas a centenas de quilômetros de distância. Podiamos agora ter acesso a informações sobre eventos no exato instante em que ocorriam. Assim, ouviamos o radio para nos mantermos atualizados e liamos os jornais para vermos análises mais aprofundadas.

Depois surgiu a TV. Alcançou seu auge nos anos 90, dominou o mundo das informações e quase acabou com o rádio. E eis que surge algo inesperdo: a Internet. Com a Internet não precisavamos mais apenas ver, ler ou ouvir. Podiamos participar, interagir. Com a Internet surgiu um novo conceito: “overdose de informações”. Centenas de milhões de web sites surgiram. Não estavamos mais restritos  meia duzia de telejornais, que filtravam as informações de acordo com seu viés político ou econômico. Tinhamos acesso irrestrito a informações do mundo todo, sem barreiras.

E a partir de 2004, um novo fenômeno: computação social ou midias sociais. Esta tecnologia deu voz ativa a todos nós. Podiamos agora nós mesmos gerar o conteúdo, ser as fontes de informação e propagá-las pelo mundo todo, via blogs, Facebooks, YouTube e Twitters.

Estamos dando os primeiros passos neste novo mundo. Não sabemos onde ele vai nos levar. Apenas sabemos que o mundo conectado será diferente do atual. O que temos pela frente são discussões, receios e medos de coisas novas. Muitas das discussões sobre o papel das redes sociais irão desaparecer simplesmente quando a geração atual, que não nasceu com ela desaparecer. As gerações digitais, que já nasceram com a Internet fazendo parte da paisagem e as midias sociais são seu elemento básico de comunicação, irão criar este novo mundo”.

Website: http://computingonclouds.wordpress.com/

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